Histórias de vida transformadas em versos, personagens reais retratados pela literatura de cordel e memórias que atravessam diferentes territórios chegam a Fortaleza com a exposição Vidas em Cordel, uma realização do Museu da Pessoa. A mostra será aberta em 15 de outubro, às 19h, na Multigaleria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e permanecerá em cartaz até 19 de dezembro, com visitação gratuita. A exposição aproxima memória, literatura e cultura popular ao apresentar trajetórias pessoais, contadas por meio dos versos e das xilogravuras.
A proposta parte de um dos princípios que orientam o trabalho do Museu da Pessoa: todo ser humano tem uma história importante para contar. Na exposição, histórias preservadas pela instituição ganham uma nova linguagem e convidam o público a conhecer diferentes experiências, territórios e formas de narrar a própria trajetória. A mostra possui cordelizadas as histórias de 30 pessoas entre as quais os cearenses: Geraldo Amâncio, Mestre Júlio Santos, Maria da Penha, Ivânia Maria Alencar, Francisco Edmísio, Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Julie Oliveira, Ivonete Morais, Paulo de Tarso, Manoel Inácio, Maercio Siqueira e Luciana Costa.
A curadoria é assinada por Marco Haurélio, escritor, professor, cordelista e pesquisador da literatura de cordel e do folclore brasileiro; Lucélia Borges, produtora cultural, artista plástica, xilogravadora e contadora de histórias; e Jonas Samaúma, poeta, escritor, cordelista e contador de histórias.
Materiais para professores
A exposição também propõe um diálogo com a educação. O Museu da Pessoa disponibiliza gratuitamente materiais para professores do Ensino Fundamental e gestores da Educação Básica, como as Orientações para o plano de aula e o Caderno do educador. Os conteúdos podem apoiar atividades relacionadas a Artes, História, Língua Portuguesa e Ciências Humanas, além de preparar estudantes para uma visita presencial ou digital. Para Beatriz Saghaard, coordenadora de Programação Cultural do Museu da Pessoa, “Vidas em Cordel é um convite para escutar histórias e perceber como cada trajetória carrega diferentes territórios, relações, memórias e formas de enxergar o mundo”.
O Museu da Pessoa é o maior acervo de histórias de vida do Brasil. Como um museu virtual e colaborativo criado em 1991, se dedica a registrar, preservar e compartilhar histórias de vida de pessoas comuns. Seu acervo é construído coletivamente e está em constante crescimento, reunindo atualmente mais de 20 mil histórias e 50 mil imagens que inspiram, provocam e transformam. Para mais informações sobre o museu é só acessar o site museudapessoa.org/visite.
Cordel aproxima memória, oralidade e cultura popular
A experiência reúne literatura, oralidade, xilogravura e memória. Além das histórias transformadas em cordel, o público poderá interagir com uma cabine e percorrer a exposição ao som de uma playlist inspirada na cultura popular brasileira. Ao final da visita, cada pessoa poderá retirar gratuitamente um exemplar de um dos cordéis apresentados na mostra.
“O cordel tem uma potência muito especial para contar histórias porque aproxima a memória da poesia, da oralidade e da cultura popular. Levar a exposição Vidas em Cordel para Fortaleza é também reconhecer a força das histórias de vida e criar novos encontros entre essas narrativas e o público”, afirma Karen Worcman, fundadora do Museu da Pessoa.
Historicamente associado à oralidade e à circulação de narrativas em folhetos, o cordel se consolidou como uma forma de registrar acontecimentos, personagens e experiências do cotidiano. No Brasil, nomes como o poeta paraibano Leandro Gomes de Barros tiveram papel importante na consolidação do gênero. É essa capacidade de transformar trajetórias em versos e fazer histórias circularem que está no centro de Vidas em Cordel, projeto que aproxima o acervo de histórias de vida do Museu da Pessoa da tradição da literatura popular brasileira.
“O cordel nasce desse encontro entre a palavra, a oralidade e a vida cotidiana. É uma forma de contar histórias que transforma experiências em versos e faz com que essas narrativas continuem circulando, sendo escutadas e compartilhadas”, destaca Karen Worcman.
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