O número de dívidas em atraso no Ceará registrou alta em março de 2026. De acordo com indicador do SPC Brasil, o volume de débitos cresceu 20,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Pela metodologia utilizada, cada dívida corresponde à relação entre um CPF e um CNPJ, independentemente da quantidade de contratos em atraso junto a uma mesma empresa. As informações constam na edição de abril de 2026 do Radar do Varejo Cearense, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE) em parceria com o SPC/Brasil.
O perfil dessas dívidas revela a predominância do setor bancário, responsável por 58,9% dos registros de inadimplência. Em seguida, aparecem os segmentos de água e energia elétrica, com 18,5%, e o comércio, com 6,7%. Os dados também mostram que cada consumidor negativado possui, em média, 2,45 credores no Ceará — número superior à média nacional, estimada em 2,31.
“Mesmo com o crescimento de 20% na inadimplência registrado em maio, o comércio cearense demonstra resiliência. Os números do primeiro bimestre de 2026 indicam que seguimos em trajetória de recuperação, com avanço de 3,5% no varejo e 2,7% no varejo ampliado em comparação ao mesmo período do ano passado. Isso mostra que o consumo continua ativo, embora mais pressionado pelas condições de crédito”, reforça Freitas Cordeiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE).
Crédito cresce, mas inadimplência preocupa
O cenário é reforçado pelos dados do Banco Central do Brasil sobre o crédito no estado. O saldo de operações destinadas às pessoas físicas alcançou R$ 109,8 bilhões, enquanto o crédito empresarial somou R$ 52,2 bilhões. Ambos os segmentos apresentaram crescimento relevante, de 14,3% e 15,1%, respectivamente, refletindo o papel do crédito na sustentação do consumo das famílias e dos investimentos das empresas.
Apesar da expansão do crédito, a taxa de inadimplência das pessoas físicas no Ceará foi estimada em 5,4%, levemente acima da média nacional. No segmento empresarial, o índice ficou em 3,8%. Os números consideram operações com atraso superior a 90 dias e indicam uma pressão persistente sobre a capacidade de pagamento de consumidores e empresas.
Varejo mostra resiliência e mantém alta nas vendas
Em contraste com o avanço da inadimplência, os dados mais recentes do comércio mostram um desempenho positivo das vendas no estado. Segundo o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 1,5% em fevereiro de 2026 na comparação com o mês anterior, superando a média nacional, que foi de 0,6%. Embora o varejo ampliado tenha registrado leve recuo de 0,7% no período, o resultado acumulado do ano aponta crescimento.
No primeiro bimestre de 2026, as vendas avançaram 3,5% no comércio varejista e 2,7% no varejo ampliado em relação ao mesmo período de 2025. Os números indicam que, apesar do ambiente de maior endividamento, a atividade comercial segue em expansão, ainda que em ritmo mais moderado.
Sobre o Radar do Varejo
O Radar do Varejo Cearense é uma publicação da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará que reúne os principais dados da economia estadual pautados nos índices oficiais dos órgãos governamentais. A ideia, conforme explica Freitas Cordeiro, é reunir e analisar indicadores relevantes para que empresários do setor varejista possam balizar suas ações embasadas em fontes dignas de credibilidade. Para conferir esta edição completa, é só acessar o site: fcdlce.org.br
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