O documentário “A Rebelião dos Jangadeiros” (2025 | Brasil | 90 min) estreia nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, no Cinema do Dragão, em Fortaleza. A produção revisita a Greve dos Jangadeiros de 1881, marco do movimento abolicionista no Ceará. Ainda este mês, no dia 26, estreia em Porto Alegre (RS). Ao longo desta semana a produção será exibida no Cinema do Dragão nas seguintes sessões: dias 19 e 20, às 20h; dia 21, às 20h10; dias 24 e 25, às 17h20.
O filme tem direção de Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, com produção executiva de Íris Sodré, da Gavulino Filmes, e codistribuição da Kajá Filmes. A produção lança luz sobre um dos capítulos mais potentes — e historicamente silenciados — da história cearense. O estado aboliu a escravidão em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea.
O documentário resgata o episódio em que jangadeiros se recusaram, na então Praia do Peixe (atual Praia de Iracema), a transportar pessoas escravizadas para navios com destino ao Sul e Sudeste do país. A exibição em Fortaleza carrega simbolismo: o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura homenageia Francisco José do Nascimento. O jangadeiro é conhecido como Dragão do Mar, figura central no movimento.
Memória, resistência e atualidade
Com abordagem histórica, social e contextual, o longa reúne depoimentos de pesquisadores e ativistas. Entre eles há Jones Manoel, Arilson Gomes, Antônia de Araújo, Vera Rodrigues, Mallu Viturino, Saulo Moreno, Hilário Ferreira, André Costa. E também Lúcia Simão, fundadora do Grupo de Consciência Negra do Ceará (Grucon).
Falecida em agosto de 2025, Lúcia Simão tem presença marcante no filme. Além do depoimento, ela entoa loas — cantos ancestrais que celebram a tradição e a cultura afro-brasileira — ampliando a dimensão simbólica, política e espiritual da narrativa. Sua participação também se configura como homenagem a uma das vozes precursoras do movimento negro no Ceará.
Ao revisitar o episódio de 1881, o documentário atualiza o debate sobre a abolição no Brasil e provoca reflexões sobre o racismo estrutural e as novas formas de escravização. A antropóloga Vera Rodrigues no filme destaca a importância da memória histórica na construção da identidade coletiva. “Quem não sabe de onde veio, não sabe para onde vai”, afirma.
Ficha Técnica
A Rebelião dos Jangadeiros
2025 | Brasil | 90 min.
Direção e Roteiro: Cinthia Medeiros e Demitri Túlio
Produção Executiva: Íris Sodré | Gavulino Filmes
Elenco: Adna Oliveira, Marta Aurélia e Sâmylla Costa
Mais notícias
Projeto leva internet de alta velocidade a escolas rurais de Alagoas e Sergipe
Empresas de ônibus vão ofertar 346 viagens extras para o Natal
